segunda-feira, 16 de junho de 2008

LITERATURA LATINA - HORÁCIO: ENSAIO INCOMPLETO

Impossível tecer comentários sobre a literatura latina sem antes lembrar-mo-nos de citar e glorificar um dos seus maiores e dignos expoentes que foi o Horácio.
Como sabemos, a literatura latina é apenas um ramo da literatura grega, aparecendo muito tempo depois do surgimento da helênica, e, extraindo desta última a parte mais importante das suas forças vivas a fim de criar elementos, formas e caracteres que até então não existiam na sua formação linguística. A literatura latina começa realmente no Século III, antes de Cristo, no momento em que os romanos após relacionarem-se com os gregos, conhecem as suas obras literárias e a partir dai começam a imitá-los, sendo que a primeira manifestação da literatura latina foi a poesia épica.
Todavia, vale ressaltar que naquela ocasião já existiam a comédia e a tragédia, mas, cumpre notar que muito paradoxalmente mais tarde, na Idade de Ouro da Literatura latina, as mesmas já não existiam. No campo da comédia citamos o Plauto que trouxe para Roma vários comediantes gregos, do tempo da Comédia Nova, a fim de não só conhecê-los mas de "apropiar-se" dos seus trabalhos, integrando-os à literatura latina. Tivemos ainda o Terêncio (amigo do Sipião, o Segundo Africano), o Públio Syro, o Laberio (nos tempos do César) e muitos outros. Na tragédia, os maiores do seu tempo foram: o Ennio, que imitava Erípedes; o Pacuvio, que imitava Sophocles e o Acio que imitava o Eschylo.
Daquele período podemos mencionar como representantes máximos da literatura latina, o Ennio - que compunha poemas épicos - mas que também escrevia poesias didáticas e satíricas. Tivemos ainda o Lucílio que era um satírico exemplar, principalmente um satírico político - assim como em Salvador, na Bahia, nas terras do Brasil, tínhamos o poeta e amigo Antônio Short. como já tivemos há tempos atrás o poeta Gregório de Matos e Guerra e ainda o Cuíca de Santo Amaro, vate preferido do meu pai, Joaquim Cunha Menezes, nas ruas descalsas e bucólicas de Santo Amaro da Purificação. No campo do lirismo tivemos a figura conhecida do poeta Horácio, o qual pertenceu ao "Século do Augusto" e que será doravante objeto de estudo do presente ensaio.
Para falarmos do Horácio, teremos que discorrer ligeiramente sobre as origens da sátira na literatura latina. A sátira não foi não foi, certamente, uma criação do engenho romano, as suas origens perdem-se nas noites dos tempos em que a poesia era utilizada para lançar o "ridículo" sobre as pessoas, as épocas e os costumes da época. Alguns estudiosos afirmam que tal prática se iniciou no Século IV, antes de Cristo, ocasião em que os jovens romanos utilizavam-se de diálogos em verso, de construção jocosa, com aspecto e linguajar de matutos e assim pilheriavam com as pessoas e as autoridades de então.
Como citamos acima, o Ênnio e o Pacúvio foram os mestres na arte da sátira, mas somente a partir do Século II, A.C., através do poeta Lucílio, é que sátira se fixou de maneira definitiva como gênero literário, perdendo a partir deste período as suas características de dramaticidade e teatralidade. Infelizmente, porém, se perdeu grande parte da obra poética do Lucílio, atualmente só encontramos os fragmentos da mesma que dão um total de mil e duzentos versos, todavia, a partir deste escasso material dá para sentirmos o vigor, a força felina com que o poeta esbravejava e escandia com os seus versos, dirigindo-os de maneira certeira contra as pessoas e os vícios da sua época, lastimando a decadência das antigas virtudes romanas, os seus feitos heróicos etc. que foram substituídos pela frivolidade, pelo lugar comum, pela cobiça desenfreada, pelo cinismo e a falta de vergonha, pela libertinagem e licenciosidade, enfim, pelo que já estamos acostumados a assistir diariamente pelos canais de televisão, internet e na leitura diária dos jornais da cidade.

1969 - POEMA DE TODA A SAUDADE!

O mesmo vento frio
na praça soprando,
a mesma janela
iluminada
com a luz bassa
de uma lâmpada fraca
lá na praça...
no quarto
um cheiro de virgens
e perfumes
e sombras de seios
erguendo-se... rijos
com os movimentos
dos braços... lentos
vestindo
uma camisola de dormir.
as horas? (as mesmas!)
sete horas da noite
que me flagram sentado
num banco em frente à Igreja
olhando - sonhando
aquela janela... aquele quarto;
cá fora:
as mesmas flores nas janelas
os mesmos jardins, cheios de rosas,
tal as faces delas
perfumando as varandas
por onde trôpega anda
vacilante, a minha POESIA!
a minha vontade
de desfazer saudades
no meio da praça
em plena cidade
cheia de nostalgias;
aquela casinha mansa
e branca
escondida entre jardins
e coqueiros esvoaçantes
guarda um mundo alucinante
de poesias... e delírios
sobre as colchas alvas
levantando-se
cobrindo os corpos delas
que eu pelas vidraças
das janelas
diviso, num sorriso franco
de castidade!
os olhos delas?
claros... verdes
iguais aos meus!
a pele de uma: morena
a outra: rosa
e cadê meu Deus
as palavras mais belas
para que eu lance
mais prelúdios de amor
à essas duas virgens singelas?
dormem...
vejo-lhes os perfís
dos seus corpos deitados
e dos seios entumessidos
subindo... descendo...
no movimento morno - e calmo
da respiração...
a luz do quarto
continua acesa,
uma delas
tem medo do escuro
igual a todas as virgens
na flor da idade
e eu...
e eu nesta ansiedade louca
penso seios... penso corpos...
penso sexos...
e num reflexo
baixo a cabeça a sorrir
para raciocinar melhor.
é o mesmo vento
soprando frio no jardim
uma cálida e terra
canção de ninar
enquanto tempo
tempera as flores
e sinto cheiro de rosas
perfumando o ar
penetrando no quarto
através das réstias
das janelas
envolvendo-lhes os corpos
castos
em sonhos,
em momentos puros
e infantís!
cá fora...
a monotonia,
a cantiga doce do vento
a embalar-lhes
o sono de crianças
quando,
a lua apaga
e o quarto escurece:
VÂNIA E VERA... DORMEM!
TADEU BAHIA
Amélia Rodrigues - BAHIA - BRASIL
Numa noite de 1969
Homenagem às adolescentes VÂNIA E VERA BACELAR

sexta-feira, 13 de junho de 2008

FERNANDO PESSOA, SOBRE O TEJO

Fernando Pessoa...
Em meio à névoa que abençoa o Tejo
Riscando com pálidos lilas
es os telhados de Lisboa
Numa cálida luz de saudades/emoldurando as tardes
A água cristalina da fonte... a lágrima cristalina na fronte
Nada sobre as águas do Tejo, só a marola morna dos seus barcos
Deslizando na arribação vespertina e sem rumo dos nossos passos
Ondulando incertos neste rio de sonhos e de mágoas

Pessoa... os seus versos reboam tal o tambor surdo
E inolvidável do suicídio que o meu Espírito atordoa e enobrece
Sumindo nas minhas entranhas, tão estranhas, como numa prece
Sujeitas à cicuta, aos beijos das putas e à sua poesia!
"Onde andarás nesta tarde vazia, tão clara e sem fim?"
Ah! Quão bonito o cantar do Caetano Veloso,

neste anoitecer pessoano e gostoso sobre o Tejo!

TADEU BAHIA
Aniversário dos 120 Anos do Fernando Pessoa
SALVADOR - BAHIA - BRAZIL
13 de Junho de 2008

segunda-feira, 9 de junho de 2008

CHARLIE CHAPLIN E EU

Observo o quadro do Charlie Chaplin
e os seus olhos claros e tristes, iguais aos meus,
a minha primeira esposa falava
que eu era a "cópia fiel" do Charlie Chaplin
talvez...
sempre foi grande a nossa tristeza!
Tadeu Bahia
Salvador/BAHIA/BRAZIL
Dezembro de 1994